quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ah, como eu amo aquele menino, como eu amo…


Ô, Zé, seria bom demais se ele prestasse mais atenção em mim. Ler meus olhos, entender meu silêncio… Quem ama consegue, Zé! E ele nem sabe que quando estou em silêncio, é exatamente quando mais estou gritando. Ora, gritando por dentro, Zé! E nessas horas, nem preciso das palavras que saem daquela boca, não. Palavra só engana a gente, viu? Um abraço já é o suficiente, mas tem que mostrar que se importa, tem que sentir saudade quando o outro se vai. É tão bonito quando o outro liga, só pra poder ouvir a voz do outro sorrindo do outro lado da linha! Ah, Zé, e me mata assumir que sinto saudades dele até quando se passa apenas um minuto. Por que é que ele não me liga nem nas tardes de domingo, Zé? Será que não sente nem uma saudadezinha sequer? Seria bom se ele entendesse minha cabeça. Quantas vezes disse pra ele que me magoo fácil? Que importo-me mesmo é com gestinhos pequenininhos? Quantas vezes, Zé, pedi mais a presença dele? Quantas? Ah, Zé, e acho que ele nem ouviu, e você nem imagina o quanto isso dói. E é por isso que as vezes me recolho pra dentro de mim e fico ali, quietinha, engolindo esse aperto que ele causa no meu peito. Mas não falo nada não, Zé… Algumas coisas são só minhas e tem lá as coisas que prefiro guardar somente pra mim. Pra que dividir minhas gasturas com os outros, Zé? Ninguém vai entender mesmo, e nem sei se posso confiar neles. Mas também faço isso porque sei que logo logo irá passar, e meu coraçãozinho pequeno, irá sorrir novamente sem ferrugem alguma, sem mágoas e sem escuridão. Ele é minha luz, Zé. Sabe, prefiro engolir tudo, porque aquele rapaz é sempre o correto. C-O-R-R-E-T-O. Em tudo. Pensa demais com a cabeça e deixa de pensar com isso aqui, oh, com o coração. “Pássaro não voa olhando pra própria asa” entende, Zé? Li isso uma vez. Gosto mesmo é de olhar o que há por dentro das pessoas, o que tem atrás do sorriso, mas ninguém parece olhar aqui dentro. Ô, Zé, só peço mais ele aqui pra mim. Presença nunca é demais, né? Quem sabe quando ele vier por inteiro, meus medos e inseguranças se vão? O espaço aqui é pequeno para as duas coisas, Zé, pequeno demais. Amor são rosas, e rosas tem espinhos sabia? É triste, não é mesmo, Zé? Pudera eu ter uma sem espinhos. Ah, vou tornar a repetir, Zé, como eu amo aquele menino, como eu amo…

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